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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DELATOR MUDA VERSÃO DE DELAÇÃO E ISENTA JOSÉ DIRCEU?

O lobista Fernando Moura fez um acordo de delação premiada e deixou a prisão. Os seus depoimentos ao Ministério Público Federal revelaram como o ex-ministro José Dirceu organizou a diretoria de Serviços da Petrobras para abastecer o caixa dois do PT.
No entanto, o jornal Folha de S. Paulo destaca que, na última delação, Moura não entregou nada do prometido e também isentou Dirceu e empresários beneficiados pela indicação de Renato Duque para o cargo na Petrobras.
No depoimento de quase duas horas em Curitiba, na última sexta (22), Fernando Moura pareceu demonstrar espanto quando confrontado com as próprias declarações, além disso, gaguejou e gargalhou, refere a publicação.
Em seu primeiro depoimento como delator, em 28 de agosto, Moura havia atribuído a Dirceu a "dica" para que ficasse longe do Brasil durante o mensalão. "Depois que assinei [o termo do depoimento] que fui ver [o que estava escrito], diz que o Zé Dirceu me orientou a isso. Não foi esse o caso", disse.
No resumo da delação elaborado por Moura e seus advogados, o lobista disse: "Depois da divulgação de reportagens que envolviam o meu nome ao escândalo do mensalão, recebi a 'dica' de José Dirceu para sair do país e, no começo de 2005, fui para Paris, onde fiquei de março a junho, ficando até o Natal em Miami".
AMIGOS
A reportagem revela que Fernando Moura é amigo de Dirceu há 30 anos e participou de todas as campanhas dele. Em 2002, organizava jantares para a candidatura do petista para deputado.
Quando lula foi eleito e Dirceu foi anunciado como chefe da Casa Civil, Moura pediu um cargo no Palácio do Planalto.
A primeira versão cita que Dirceu disse que não nomearia um "amigo para não confundir as coisas". O ministro teria orientado Moura a arranjar uma empresa que ele, Dirceu, "ajudaria em nível de governo".
A Etesco, prestadora de serviços de engenharia da Petrobras, seria a beneficiada. Moura disse ter sido procurado por um dos donos da empresa, Licínio Machado, que queria em troca indicação de Duque para a diretoria de Serviços.
Moura contou que levou o pedido para a equipe de transição do PT, em 2002. Duque foi nomeado no ano seguinte como cota do PT na Petrobras.
Ainda segundo a primeira versão, Moura passou a receber uma mesada de US$ 30 mil da Etesco a cada três meses.
Agora, Moura diz não saber se Dirceu teve a "última palavra" sobre o cargo de Duque.
Como refere a Folha, Moura contou, no ano passado, que ao emplacar Duque para a diretoria de Serviços, a Etesco virou uma potência na conquista de contratos milionários na Petrobras.
DEFESA
A reportagem da Folha entrou em contato com o advogado de Fernando Moura, Pedro Iokoi, que não quis comentar as mudanças de versão de seu cliente nem a abertura de um procedimento para apurar se o acordo de delação premiada foi violado.
A defesa de José DIrceu, o criminalista Roberto Podval, solicitou acesso a vídeos dos depoimentos prestados por Fernando Moura à força-tarefa da Lava Jato na fase de investigação.
"Fernando Moura afirmou literalmente que não revelou em momento nenhum que o Zé Dirceu deu a dica para que fugisse do Brasil. Por isso pedimos para ter acesso às gravações dos depoimentos porque é preciso checar como tudo se deu", afirmou.
O dono da Etesco, Licínio Machado Filho afirma que não conhecia Renato Duque em 2002 e, portanto, não poderia tê-lo indicado para ocupar a diretoria de Serviços da Petrobras.
O empresário disse que um de seus irmãos era amigo de Fernando Moura, mas negou que ele ou sua empresa tenham realizado pagamentos ao lobista "a título de agradecimento".

"Parece que ele agora está dizendo a verdade", disse Licínio, sobre a nova versão de Moura, que isenta sua empresa de ter sido favorecida pela indicação de Duque.
Fornecido por Notícias ao Minuto
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